Olhos do coração Postado segunda-feira, 28 de novembro de 2016 por admin

Gustavo e Gabriel fizeram 11 anos em outubro, mais precisamente no dia 19. Gêmeos idênticos, os filhos de Michelle são adoráveis e cativam a todos com sorrisos sinceros e felizes. Os irmãos nasceram com fissura labiopalatina, com a diferença na deformidade facial: Gabriel com fenda unilateral e Gustavo com bilateral.

Michelle conta que não há casos na família dela e na do pai dos meninos. A notícia veio somente no momento do nascimento dos gêmeos, pois nos exames de ultrassom a malformação não foi identificada. A jovem mãe não estava preparada. “Durante o pré-natal, o médico via a ultrassonografia e me dizia que estava tudo bem. Quando vi os meus filhos pela primeira vez fiquei com muito medo de não conseguir cuidar deles. Meu coração estava triste, mas a partir do momento que os peguei no colo, a natureza se encarregou do resto. É amor incondicional! ”

Apesar de todos os esforços da mãe, a amamentação só foi possível durante o primeiro mês. Porém, do nascimento até agora muita coisa mudou. Gabriel realizou quatro cirurgias e Gustavo três: lábios, palatos e um cisto que apareceu entre o osso do maxilar e os dentes em Gabriel. Atualmente, os dois estão em tratamento ortodôntico na Sociedade Especializada no Atendimento ao Fissurado do Estado de Sergipe (SEAFESE), parceiro da Smile Train em Aracaju. “A vida dos meus filhos mudou para melhor, principalmente no quesito aceitação por parte da sociedade, pois as pessoas os viam como ‘algo’ do outro mundo. Apesar disso, o mais incrível foi poder vê-los encostar o lábio superior no inferior para falar”, conta Michelle.

A mãe diz que conheceu a Smile Train através da psicóloga da SEAFESE, Dra. Ana Cecília. A profissional sugeriu a ela que realizasse o cadastro da Smile Train para uma possível ajuda no andamento do tratamento dos meninos, visto que a SEAFESE não tinha condições de manter por não estar recebendo continuamente a verba estadual. “A Smile Train foi muito importante para nós porque somente o Gabriel estava tendo atendimento ortodôntico, visto que as condições do SEAFESE não permitiam atender os dois. São muitas crianças e o SEAFESE chegou em um momento crucial que impedia de dar continuidade aos trabalhos”, explica Michelle. A falta de repasse financeiro do governo do estado de Sergipe acabou fazendo com que a instituição fechasse as portas no dia 11 de novembro.

Gustavo e Gabriel venceram muitos obstáculos da fissura labiopalatina. Outros ainda virão. Mas eles têm uma mãe que faz com que eles cresçam fortes e rodeados de amor. Michelle, a mãe batalhadora que não mede esforços para conseguir o tratamento necessários para seus meninos, deixa um recado para as famílias que estão no mesmo caminho: “Não os vejam com os olhos do corpo e sim com os olhos do coração! Amem incondicionalmente e nunca sintam medo, pois eles são mais fortes do que pensamos. Aprendemos muito com eles, todos os dias. São anjos que vieram para nos ensinar que o amor sempre vence!”.

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